terça-feira, 21 de junho de 2011

Os filhos da mãe

Esta crônica sai do tema deste blog. Mas, em um momento de questionamento achei interessante escrevê-la....


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Uma linda história de amor. Reconhecimento e gratidão que não têm fim. Se pudessem traduzir, este, sem dúvida, é o amor mais puro e transparente que pode existir. As mães, criaturas especiais e únicas. Muito provavelmente "mãe" é a primeira palavra que sai de nossa boca, quando estamos aprendendo a falar. Mãe deixa de ser simples palavra e vira nome próprio, nosso e de mais ninguém. Indivisível e ao mesmo tempo multiplicável. Afinal, no coração de mãe sempre cabe mais um e o amor é, sempre, igual e especial para cada um de nós.


De outro lado, o pai. Ser robusto que passa segurança, fortaleza e energia. Com pulso firme e companheirismo únicos, são nosso exemplo de batalha e luta no dia a dia. Se as mães nos ensinam a doçura e ternura, os pais nos passam a força e os bons (aos olhos deles) gostos. A mãe nos ensina a religião. O pai, o time de futebol. E aí está o começo de tudo, somos, enfim, seres humanos.



A escolha do time de futebol é feia à revelia, por indicação, por indução ou naturalmente. O fato é, o time e seu e ninguém tasca. O brasão do clube se gruda ao seu peito e faz dele uma só pulsação. Faz dele seu. Por mais que haja milhões dividindo uma mesma paixão, não, não, o time é seu. Já imaginou, alguém fazer mal ao SEU time? Situação hipotética improvável e inconcebível.


Eis que, mesmo a contragosto da mãe, você vai ao estádio, que antes era uma visão longínqua dividida apenas modelável pela tela de uma televisão. Seu pai pensando, "este é meu garoto". Você está lá, frente a frente com seu time, seus ídolos. Dando certo ou não, seu time ganhando ou não, ele é seu e merece suas lágrimas, suas cordas vocais, sua vibração, sua entrega.



Como todo filme de amor tem seu momento de tensão e desgraça, neste "sonho", há um vilão. O ser, muitas vezes vestido de calção preto e camisa amarela (variando para preta e laranja - realmente, guarda-roupas limitado) é o tal. E ele tem súditos e seguidores, que fazem parte de sua corja do mal. Vestem a mesma indumentária, mas ao contrário do mestre, possuem uma área de atuação limitada. Têm, porém, ela: a bandeira. Quadriculada e mortal. A liga recebe vários nomes: trio de arbitragem, juiz e bandeirinha, por aí vai...


Autoridades máximas do futebol dentro das quatro linhas. Autoridade pros jogadores, técnicos e comissão técnica. Já para as torcidas.... Vai tentar convencer à torcida que eles não são filhos de pessoas de vida fácil...se conseguir, parabéns, meu caro, você é um vencedor - muito provavelmente com alguns hematomas para contar a história.

Todos nós, que no início aprendemos o lindo sentimento do amor materno, nos transformamos. A única mãe que presta é a nossa. Já a do árbitro e dos bandeirinhas....eles são todos filhos delas...mas elas....não são nem um pouco louváveis. Não são mais donas de casa, enfermeiras, professoras, engenheiras, etc. Deixam de ser Luizas, Marias, Rafaleas. Passam a ser, única e exclusivamente, as culpadas. Onde já se viu, o filho "delas" prejudicar o bem maior do ensinamento que seu pai lhe passou? Imperdoável.

Lá vai uma sugestão: que tal lembrarmos que somos todos filhos de alguma mãe? Levantemos uma bandeira, a bandeira do respeito a mãe alheia, pensando nos ensinamentos de nossas progenitoras. Mas, se o árbitro, insistir em ferir o SEU time...esqueça a teoria do bom relacionamento social...afinal, antes a mãe dele do que a nossa...

domingo, 12 de junho de 2011

Informação e credibilidade: percepção dos signos em Telejornalismo

A transmissão em telejornalismo é muito mais complexa e completa do que muitas pessoas pensam. A junção de diferentes artifícios da comunicação e de técnicas da produção e emissão da mensagem fazem a diferença para o trabalho final, seja ele informar, ou prender a atenção do telespectador. Além da voz, o repórter aparece no vídeo durante a transmissão de uma notícia em TV. Portanto, é indispensável que ele tenha cuidado com a postura corporal, seus gestos e com sua expressão facial. Quanto mais natural e sincero em suas gravações ele for, mais credibilidade ele irá transmitir. Como considera Constantin Stanislavski, “para representar verdadeiramente, vocês devem enveredar pelo caminho dos objetivos certos, como se estes fossem sinais de demarcação a orientá-lo através de uma planície árida e deserta” (STANISLAVISKI, 1989, p.27 e 28).

Os textos decorados, ao serem gravados, soam menos naturalmente do que quando se está em uma conversa informal. Mesmo que mais experiente ou natural que o repórter esteja, sempre fica sujeito a ansiedade. Portanto, as cadeiras de faculdade, que ensinam e dão diretrizes aos estudantes de comunicação, precisam transmitir aos mesmos que compreender um fato e contá-lo ao telespectador é mais importante do que tratá-lo com excessiva distância, decorá-lo e simplesmente falá-lo. Humanizar o fato deve ser uma preocupação, facilitando a aproximação entre opostos.

Antes mesmo que algum texto seja dito durante a passagem o repórter já emitiu uma mensagem através dos seus elementos não verbais, os movimentos do corpo. O repórter não deve aparecer falando sobre o falecimento de alguém, com expressão de felicidade, com sorriso no rosto. É preciso que o corpo esteja em sintonia com o que está sendo dito, e também com as imagens para que a mensagem que se quer transmitir seja única e não confunda o telespectador, com falta de sincronismo entre os elementos de produção da matéria. Exemplo disso é quando o repórter estiver falando do dia anterior e fizer um gesto com a mão indicado o hoje, o agora. Ou então quando estiver fazendo uma negativa na frase e seu gesto apontar de forma positiva. Nesses exemplos, a expressão corporal estará contradizendo o que ele está falando.

As entradas do repórter na matéria, com suas passagens, devem ser naturais e alguns cuidados com a postura devem ser tomados. Por exemplo, tronco curvado e ombros caídos passam imagem negativa, de desânimo. Ou a postura excessivamente dura, sem mobilidade dá a impressão de prepotência e arrogância. Essas incoerências de posturas causam também, distanciamento entre o emissor e o receptor, prejudicando a compreensão.

Em relação à melhor utilização do corpo nas passagens do telejornalismo é aconselhável manter postura natural. Na maioria das vezes o repórter é filmado da cintura para cima, em plano americano, e uma das mãos aparece segurando o microfone, que deve estar mais ou menos a um palmo do queixo. O tempo da filmagem, na maioria das vezes é curto, e um ou dois gestos com as mãos no máximo, são suficientes. Usar os gestos e afeições com comedimento é a melhor solução para uma passagem sóbria.

Os cuidados com o corpo, com a aparência devem ser preocupações do próprio repórter com aquilo que vai refletir diretamente na eficiência do seu trabalho.

A consultora de moda Regina Martelli, citada por João Elias da Cruz Neto (2008), considera que a informação deve receber muita atenção, mas na hora do repórter aparecer no vídeo é preciso saber o que pode interferir na compreensão do fato.

Essas posturas levam a crer que o telejornalismo está muito discretamente ampliando suas formas, mas muito ainda será feito. É necessária a diminuição entre a distância imposta entre emissor e receptor. Buscar cada vez mais no telespectador a cumplicidade, fazendo o repórter um componente da construção e compreensão da mensagem.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Falando com as mãos

Com exceção das transmissões televisivas em linguagem de sinais, não podemos considerar "correto" o uso desenfreado da gesticulação manual dos telejornalistas em seu vídeo. Como consideram Kryllos, Côtes e Feijó tratando deste assunto específico, em uma passagem de uma matéria de TV, desempenhar de dois a quatro pequenos gestos é o necessário. Usar dos gestos em demasia é um problema, não necessariamente para a construção da matéria, e sim para sua compreensão. Vejamos alguns exemplos ilustrativos:

1- Em uma passagem, é necessário que além da quantidade, o repórter se atente em ser coerente. De absolutamente nada adianta se ele estiver se referindo ao tempo hoje, ou ai dia de "hoje" e apontar com o polegar para trás.

2- Na maioria das vezes, quando o repórter narra um fato e faz enumerações, não necessaariamente a contagem precisa ser acompanhada com a mão, por gestos. Ele pode se eximar desta atitude mas, se o fizer, que seja coerente na enumergação e gesticulação.

3- Os jornalistas, apresentadores e âncoras, ao ler uma cabeça, nota pé ou nota seca, precisam, também, ser coerentes. Primeiramente, que não sejam exagerados. O quadro de visão do telespectador é curto, reduzido. Assim, mais cuidado deve ser tido para nada ser feito além da conta. Outro detalhe importante: a bancada é um ambiente de silêncio e seriedade, principalmente as mulheres com anéis e pulseiras, e os homens com alianças e relógios, devem ter cuidado para que cada gesto não seja acompanhado de um barulho que vaza no microfone de lapela. Assim, será, a cada gesto, um susto ou um desvio de atenção para o telespectador.

4- Nunca, em hipótese alguma, os gestos devem sair da linha baixa do campo de visão da câmera (televisão para o telespectador). Os gestos com as mãos não devem ultrapassar a linha abaixo do peitoral do profissional. Em hipótese alguma, devem ficar acima da linha dos ombros e jamais alcançar a linha do rosto.

Estas são algumas considerações que precisam ser tidas quando o assunto está sendo analisado de forma inicial. Muito ainda pode ser dito (o que faremos mais à frente). É importante lembrar sempre, que, os gestos, principalmente nas passagens em telejornalismo, precisam ser complementos para o que está sendo dito, um reforço. E nunca significar um prejuízo à matéria.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Blog, Twitter e Orkut vão contar histórias de favelas sob jugo do tráfico ou das milícias; anonimato será garantido

RIO - Durante a ocupação do Complexo do Alemão pelo estado no mês passado, depois de décadas de domínio do tráfico, foi comum ver moradores apontando para militares e policiais os esconderijos e as casas de traficantes. Os gestos e as vozes, mesmo que ainda tímidos, revelaram muito mais do que os redutos dos bandidos. Mostraram que a comunidade, que durante anos viveu amordaçada pela lei do silêncio imposta pelos criminosos, finalmente conseguia ter voz. Mas, se no Alemão a liberdade de expressão começa agora a ser mais do que um sonho distante, o mesmo não acontece na maioria das favelas do Rio, onde hoje cerca de 1,070 milhão pessoas ainda vivem sob o jugo de milicianos ou traficantes. Para conhecer suas histórias, O GLOBO lança hoje o projeto Favela Livre, um espaço que pretende, além de resgatar relatos de anos e anos de opressão nesses locais, discutir soluções.

O Favela Livre usará a nova tecnologia para falar dos velhos problemas das favelas cariocas. Um blog ( www.oglobo.com.br/favelalivre ) entrará no ar hoje, e leitores das comunidades dominadas poderão ter seus posts - contando sonhos, explicando como a violência afeta suas vidas, mostrando o sofrimento de perder um filho para o tráfico - publicados, após mediação de jornalistas do GLOBO. Os temas são livres e podem ir desde histórias cotidianas, como a obrigatoriedade de comprar botijões de gás por valores mais altos em locais indicados por milicianos, a textos sobre a esperança de mudanças nas favelas. Denúncias sobre crimes não fazem parte do projeto e serão encaminhadas à polícia. O anonimato - condição que, para muitos, significa a diferença entre morrer e continuar vivo - será garantido pelo GLOBO.

Especialistas em urbanização e violência urbana, por exemplo, também vão enviar artigos, selecionados pela editora assistente Liane Gonçalves e pelo editor adjunto Jorge Antônio Barros. Os 228 mil moradores das favelas que já têm uma das 13 Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) também podem colaborar, escrevendo sobre o que mudou com a presença do estado. O mesmo vale para os 102.735 habitantes dos complexos do Alemão e da Penha, que, embora não tenham ainda UPPs, viram seus territórios serem retomados pelo poder público.

Repórteres da Editoria Rio vão ganhar espaço para contar os bastidores de suas visitas às favelas e detalhes que não foram publicados no jornal e no site. A estreia nesse campo será de Antonio Werneck, que lembrará as duas vezes em que foi à Vila Cruzeiro ocupada pelos bandidos e os primeiros momentos da comunidade retomada pelo estado:

"Fui três vezes à Vila Cruzeiro. A primeira, quando o jornalista Tim Lopes desapareceu; a segunda, para cobrir um show de Caetano Veloso; e a última, quando as forças de segurança tomaram a favela. Só pude entrar sem dar explicações ou pedir autorização quando a região voltou ao controle do estado."

Além do blog, um perfil no Twitter ( www.twitter.com/favelalivre ) receberá mensagens dos moradores de favelas aonde a democracia ainda não chegou de fato, como mostrou a série "Os brasileiros que ainda vivem na ditadura", publicada pelo GLOBO em 2007. Ganhadoras de vários prêmios, as reportagens mostraram que direitos básicos, como liberdade de expressão, direito de associação e inviolabilidade do lar, eram constantemente desrespeitados.

Um dos casos que ilustraram a série foi a história do funcionário público Cláudio Daltro Barbosa, que tatuou nas costas uma carta de 13 linhas, misto de declaração de amor e despedida, endereçada ao filho, Diego, desaparecido após um desentendimento com um PM ligado à milícia da Vila Sapê, em Jacarepaguá. Diego e o miliciano discutiram por causa de uma mulher. Depois disso, ele passou a ser um dos cerca de 7.300 casos de desaparecimentos catalogados, de 1993 até junho de 2007 pelo Serviço de Descoberta de Paradeiros da Delegacia de Homicídios. No vácuo deixado pelo estado, a ditadura imposta por esses grupos no Rio produziu, em 14 anos, 54 vezes mais desaparecidos que os 136 registrados em todo o país nos 21 anos do regime militar.

O Favela Livre também estará no Orkut: hoje, entra na rede social um perfil do projeto e uma comunidade dedicada a ele. E-mails também serão uma fonte de contato dos leitores, moradores e demais colaboradores. Basta mandar as mensagens para favelalivre@gmail.com. Quem não tiver acesso à internet pode procurar o Serviço de Atendimento ao Leitor (SAL) do GLOBO, pelo número 2534-4324.

"O Favela Livre é um espaço para se discutir e se conhecer histórias, que não podiam ser contadas, de quem ainda vive a ditadura do tráfico e da milícia. É também um fórum de discussão entre especialistas, moradores de áreas com UPP. Nos acostumamos a achar normal que mais de um milhão de pessoas ainda vivam fora da democracia, sem os direitos dos cidadãos do asfalto. Sempre recebi muitos e-mails de moradores de favelas, querendo contar, anonimamente, suas vidas. Agora, abrimos esse espaço" diz o editor da Rio, Paulo Motta, que teve a ideia de criar o projeto.

Como participar

O blog do Favela Livre está no ar: www.oglobo.com.br/favelalivre

Siga no Twitter:

Usuários podem escrever para @FavelaLivre

No Orkut:

Foram criados o perfil Favela Livre e uma comunidade com o mesmo nome .

Serviço de Atendimento ao leitor (SAL): telefone para 2534-4324.

Mensagens também podem ser enviadas para o e-mail: favelalivre@gmail.com

Fonte: http://oglobo.globo.com/rio/mat/2010/12/11/blog-twitter-orkut-vao-contar-historias-de-favelas-sob-jugo-do-trafico-ou-das-milicias-anonimato-sera-garantido-923253425.asp

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

A catarse televisiva

Os padrões precisam ser respeitados, as condutas também. Formas politicamente corretas de montar uma matéria para TV, bem como a postura intocável e profissional de um repórter de telejornalismo precisa ser mantida para que a informação seja passada de forma idônea e mais direta possível. Tal análise é completamente aceitável e livre de constatações. Exceto quando se trata de estar cobrindo a maior guerra contra o tráfico de drogas que o Brasil já viu – o chamado factual.

Alguns profissionais que até então mostravam sua experiência em coberturas internacionais se juntaram àqueles que, mesmo com pouca quilometragem, já têm o ardor pela busca da informação. Na prática, o que vale é quem está no lugar certo, na hora certa. A respiração ofegante do repórter, a câmera tremida por corridas e passos apressados, são facilmente respeitadas e deixadas de lado.

Tanques, armas, bombas, tiroteios, tropas e traficantes. O que sobra? A imagem. Do que serviria o belo dom da palavra se não fosse o impacto das imagens? A maior arma é a palavra munida de uma filmadora. Incomparável é ver e se emocionar com os fatos. Mas, o ser olimpiano, aquele repórter que dá sua vida em nome da profissão e da informação, desce do pedestal e se mostra como cidadão comum, passível de emoções. Mostra-se como aquele homem-profissional que, como todos, está com medo, cuidando da sua própria vida e dos seus demais. Os cameramen viram irmãos, cada passo de um, seguido pelo outro.

O repórter e a imagem

Os ternos bem alinhados e as roupas impecáveis dão lugar ao colete à prova de balas. As maquiagens retocadas e os cabelos bem aparados cedem espaço a rostos cansados, camisas molhadas e cabelos ao vento. Nada ali, nenhuma postura se torna mais importante do que emocionar. Informar tocando o telespectador.

Neste momento, a referida imagem de descuido e falta de preocupação com a aparência, que em outras situações seria motivo de críticas e de desvio da atenção do fato narrado pelo telespectador, passa a ser agente facilitador. Ou seja, o receptor da mensagem, emocionado com o alto grau de envolvimento do repórter, com a vivência do fato, se aproxima do acontecimento, tendo pena, elogiando e até mesmo sentindo orgulho do profissional. Assim, a informação fica mais bem aceita. O que era erro, vira acerto.

A catarse, que em comunicação é considerada a grande descarga de sentidos e emoções, precisa ser canalizada e tida como o grande filão da eficiência de telejornalismo. Portanto, seja como for, informar é extremamente necessário. Agora, tocar, emocionar e marcar, é essencial. O repórter e a imagem passam a ser únicos e incomparáveis.

Texto também publicado no Observatório da Imprensa.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Instrumento de trabalho: A voz

O repórter de televisão precisa estar preocupado com sua desenvoltura, sua performance e a utilização de sua voz. As imagens das reportagens de TV são conhecidas por terem linguagem própria, direta. Mas os profissionais da área sabem que precisam de complemento, de interpretação. A pessoa escolhida para desempenhar essa função é o repórter. Para isso, é de extrema importância que ele tenha cuidados específicos e saiba usar da melhor maneira possível sua voz, para que a compreensão e disposição das informações transmitidas sejam feitas de forma clara o suficiente para que aliadas ao texto, não haja interpretação ambígua.

Além de se preocupar com o que vai ser dito, o texto, ele precisa estar atento a como vai ser dito. A voz do repórter televisivo precisa ser clara e pronunciada como boa dicção.

Quase em sua totalidade, as vozes podem ser melhoradas com treinamento, mas mesmo assim, existem aquelas que não são naturalmente adequadas para a locução, seja em TV ou em rádio.

É preciso que a dicção seja feita com pronúncia de todas as palavras e letras que compõe a frase de forma agradável e natural, com ritmo, altura e ressonância adequadas da voz para o tema que é narrado.

O ideal é que a locução seja feita de forma que soe natural para o ouvinte, com palavras e expressões que sejam compreendidas pelo público-alvo do telejornal. Precisa-se, portanto, garantir que as palavras sejam pronunciadas com inflecção, pois, algumas vozes logo se tornam monótonas ou excessivamente aceleradas.

A clareza com que o repórter transmite o fato merece atenção especial para que haja compreensão durante a recepção, evitando assim, dúvidas.

O texto em televisão, para garantir a emissão eficiente precisa ser interpretado, não sendo suficiente apenas lê-lo. Sentir o momento da execução da matéria e vivenciar o fato transmitido é outro segredo que deve ser considerado. A interpretação de um texto deve estar recheada de segurança, autoconfiança e determinação para que possa se atingir a credibilidade desejada.

A leitura e fala devem ter ritmo, devem ser exatas. “A leitura deve ter um ritmo pulsante. Um ritmo lento leva à monotonia e o telespectador pode ficar desinteressado. Já um ritmo muito rápido poderá prejudicar o entendimento” (NETO, 2008, p. 57).

Como instrumento de trabalho, a voz precisa ser utilizada de maneira eficaz. Ela não pode ser forçada, deve ser natural, mas é necessário emiti-la numa intensidade média e precisa estar bem colocada. O excesso de volume pode demonstrar vitalidade e energia, mas também pode indicar postura incorreta; quando é emitida com intensidade reduzida pode sugerir medo, insegurança ou timidez. A pronúncia da fala é outro fator determinante para a compreensão do fato. Palavras difíceis, nome estrangeiros ou incomuns, devem ser lidos com antecedência para evitar gafes ou até mesmo para que não haja emissão incorreta da palavra e assim, causar algum prejuízo, seja a quem for.

Com clareza, o texto surte seu efeito de forma eficaz. Ela é o melhor modo de se evitar compreensões dúbias.

Mais especificamente na passagem, manter um padrão de voz, tanto no ritmo, quanto na intensidade ajudam a boa compreensão. Uma boa voz também depende da postura do corpo e de um controle apropriado de respiração.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

A simplicidade, o bom gosto X Interferência

É importante durante a transmissão da matéria telejornalística que o repórter, em suas passagens, não chame mais atenção do que o próprio fato noticiado, mas que ele seja parte facilitadora da transmissão. As roupas dos repórteres possuem influência direta na recepção do fato. Se a roupa do jornalista for inadequada, certamente o telespectador irá se distrair do fato e passará a prestar atenção em detalhes chamativos e irá analisar não o acontecimento, mas aquilo que o profissional estará vestindo. É, portanto, indispensável que o repórter use a roupa certa para cada ocasião.

Não há duvidas de que as roupas utilizadas por Ana Paula Padrão no Jornal da Record, por Fátima Bernardes no Jornal Nacional, ou por Sandra Annemberg no Jornal Hoje, se não estiverem de acordo com o público ao qual elas estão transmitindo as notícias, serão alvo de críticas e análises. Seja de telespectadores que consideram as indumentárias de bom ou mal gosto, ou até mesmo aqueles que assistem as transmissões apenas com o objetivo de copiar estilos, deixando de lado assim a função primordial da transmissão que é informar-se. Esta deve ser, portanto, um dos detalhes que mereçam mais cuidado durante as gravações, não chamar mais atenção do que o próprio fato e estar de acordo com a notícia e local em que são transmitidas.

Se o telespectador voltar toda sua atenção para uma blusa chamativa, para um terno inadequado, ou ao decote extravagante de uma repórter, ele inevitavelmente irá se distrair daquilo que está sendo dito na matéria. “(...) é essencial que a roupa utilizada pelo repórter/apresentador seja ao mesmo tempo discreta e apropriada para a ocasião”, (YORKE, 1998, p. 73). Sua aparência não deve distrair o telespectador.

Não combina, para o repórter de esporte, que ele faça uma passagem em um jogo de futebol, ou em um campeonato de canoagem vestindo terno e gravata, isso foge da linha homogênea de transmissão. Portanto, o bom senso do repórter é a melhor arma para que não se cometa nenhuma extravagância e desvie a atenção do receptor do que está sendo dito.

Alguns programas possuem suas próprias regras de vestuário. Por exemplo, qualquer tipo de matéria que seja feita pela equipe de esportes da Rede Globo, o repórter deve estar vestindo camisa especial da emissora para esse tipo de transmissão. Isso é uma forma de padronizar a forma dos repórteres, de causar identificação semiótica do telespectador com o tema, mas também de evitar possíveis deslizes dos próprios profissionais. Mas, quando a emissora não possui essa política deve-se partir para o bom senso.

“(...) se o repórter não tem normas rígidas para o vestuário – e isso provavelmente se aplica à maioria -, a única regra infalível é simplesmente vestir-se de forma que não chame atenção. Guarde as peças vistosas para os dias de folga”. (YORKE, 1998, p. 102)

Existem também, outros detalhes que devem ser considerados no momento da escolha da roupa para as transmissões. Em estúdios de televisão, por exemplo, onde os cromakeys são utilizados, ternos com listras finas, azuis e roupas em xadrez podem prejudicar a imagem captada pela câmera.

Outros detalhes também precisam ser ressaltados para que a transmissão seja feita de forma clara e sem ruídos. É preciso que os assessórios sejam usados com comedimento. Dependendo da peça que for escolhida, se for uma joia que ostenta poder e riqueza, o telespectador pode se sentir diminuído, por não poder ter acesso a bens como o que ele vê o repórter utilizando, e assim, mais uma vez, perder a atenção do fato transmitido. Outro lado é que o receptor, ao ver uma jóia, por exemplo, pode sentir um distanciamento muito grande entre ele e o jornalista e assim, a compreensão do fato ficar comprometida.

Os penteados dos repórteres também devem ser trabalhados com cuidado. Uma alteração repentina e drástica de cor ou corte de cabelo pode assustar o telespectador. Portanto, a melhor saída é a combinação de elegância e simplicidade. Fátima Bernardes é alvo de críticas e comentários por revistas de fofocas e por telespectadores todas as vezes que muda seu penteado. Tanto que, em algumas vezes que o novo corte não foi aceito pelo público, logo retornou ao seu estilo padrão.

Para os homens, as barbas não são muito bem vistas. Hoje em dia, com a popularização acentuada da televisão, os diretores de jornalismo estão ficando mais maleáveis, mas ainda sim, apenas os jornalistas mais velhos, com nome já consagrado, como por exemplo, Alexandre Garcia, tem total liberdade de usar a barba e bigode, mas nada que prejudique sua imagem.

Os telespectadores notam facilmente mudanças mesmo que sutis na aparência dos repórteres, portanto, o comedimento, cautela e principalmente o bom senso, são guias infalíveis para que ele seja artifício facilitador de compreensão.